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Livros e Marcadores

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A Ilha dos Espíritos
Camilla Läckberg

El hombre que se esfumó

El hombre que se esfumó - Maj Sjöwall, Per Wahlöö 4.5

Quando o Ódio Matar

Quando o Ódio Matar - Carina Bergfeldt «Mais um livro nórdico, um dos subgéneros literários que mais gosto.

O livro apresenta-se com vários capítulos pequenos, facilitando a fluidez da leitura.

Um assassinato está a ser preparado. A pesquisa é metódica, consciente e movida por uma profunda convicção de que aquela é a única solução possível e viável!

Esta è a ideia basilar que acompanha o livro, que fomenta no leitor uma curiosidade mórbida e o cativa ao longo do livro com uma cumplicidade inconsciente mas leal. O interessante é não saber a identidade do potencial assassino, assassina neste caso, porque a única certeza que vamos tendo é que é uma mulher. E é potencial porque desconhecemos o desfecho que terá este projecto.

No livro somos também brindados com um assassinato de uma mulher, investigado pela inspectora Anna Eiler e um par de jornalistas, Ing Marie e Julia.

É interessante ver e perceber a construção desta trama, o cuidado na elaboração por parte da autora. A diversidade e a abertura de possíveis soluções para o livro! Surgem-nos muitas perguntas, e estas mantêm-se em aberto estimulando a curiosidade do leitor.
Será que a pretensa assassina è a vitima do crime que Anna Eiler investiga? Ou será que é uma das três mulheres que nos são apresentados no livro (Anna Eiler,Ing Marie ou Julia)? Se for, qual? As três têm segredos.

Quanto ao género literário, facilmente conseguimos descobrir várias características do subgénero literário nórdic noir ("scandinav crime fiction" ou "nordic crime fiction"), uma perspectiva mais profunda e (...)»

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Opinião: Quando o ódio matar de Carina Bergfeldt |Livros e Marcadores

O Segredo do Meu Marido

O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty, Helena Ruão 4.5
Intenso e profundo

A amante

A amante - James Patterson 4.5
« O livro começa com o aparente suicídio de Diana, por quem Ben tinha uma paixão. Mas Ben nega-se a aceitar a explicação do suicídio. Este é o ponto de partida da história que vai levar Ben a descobrir que não conhecia assim tão bem Diana quanto julgava.

Divertido, inteligente e com um delicioso sentido de humor.

Os episódios de humor foram uma constante e afloraram uns quantos sorrisos espontâneos durante a leitura.
O livro respeita a tendência que a escrita de James Patterson nos tem habituado, os seus famosos pequenos capítulos que proporcionam uma leitura fluida e apelativa.

O enredo é interessante, leve e actual. Facilmente traçamos paralelismos com a realidade actual, desde as ofensivas da Russia, os interesses instituídos no poder e os aparentes desentendimentos entre o casal presidencial norte-americano.

Ben mostra-se uma personagem determinada, ousada, perseverante e obsessiva. Uma personagem que transporta uma pesada memória que o condicionou ao longo de toda a sua vida.

No início veio-me à ideia o filme “Teroria da Conspiração” em que Mel Guibson interpretava um brilhante papel. O engraçado foi cruzar-me com a mesma referência feita pela personagem a dada altura no livro.

Foi para mim uma viagem cinematográfica gratificante (...)

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Opinião: A amante de James Patterson|Livros e Marcadores

O Amante

O Amante - Jodi Ellen Malpas 3.5
«És como um livro que não consigo largar. Tenho de saber mais.»

Ava, uma designer de interiores, é contratada por Jesse, um homem com muitos recursos financeiros, que desenvolveu uma estranha obsessão por Ava e tudo pode acontecer...

É na perspectiva de Ava, que seguimos viagem pelo livro, partilhando as suas dúvidas, receios e desejos em atribulados episódios de quente erotismo. A atracção irresistível é uma constante no livro. Os avanços e recuos na relação das personagens trazem a dinâmica ao livro.

O livro espantou-me pela abordagem feita na personagem masculina. Normalmente temos um homem rico (confere), um homem experiente no campo sexual (confere), um homem sensível e não muito possessivo (hummm ...), um homem um pouco ciumento (hummm ...), que dá espaço à personagem feminina para fazer as suas escolhas (hummm ...). Gosto de ser surpreendido, gosto que se extravasem os estereótipos, é um risco para o autor, é certo, mas é preciso ser ousado e acho que este facto marca o livro.

O controlo e a possessão são bem vincados em cada página, e por mais que Ava anteveja problemas não consegue fugir a atracção que tem por Jesse. Esta atracção que transcende o racional, uma atracção a que Ava não consegue resistir, e que Jesse não se coíbe de aproveitar.

Personagens:

Ava é uma jovem mulher bem sucedida profissionalmente, que saiu recentemente de uma relação, e não tenciona voltar a entrar noutra tão cedo.

Jesse é misterioso, um homem dotado, seguro de si mesmo, ciumento, possessivo, diria mesmo com uma postura "agressiva" (...)»

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Opinião O Amante |Livros e Marcadores

A Casa Negra

A Casa Negra - Peter  May 3.5

O Guardião das Causas Perdidas

O Guardião das Causas Perdidas - Jussi Adler-Olsen 4.5

« Após um fatídico episódio em que um colega foi morto e outro ficou paralisado, Carl Morck é um detective profundamente marcado, carregando um pesado sentimento de culpa, entregou-se à apatia e não ostenta grandes ambições. No regresso ao trabalho, apenas quer manter uma presença marginal e deixar passar os dias.

Quando lhe é oferecido a possibilidade de ficar responsável por um novo departamento, o Departamento Q, na cave, que visa a análise e investigação de "cold cases", casos que por uma ou outra razão não foram resolvidos, Carl vê nesta proposta a solução para uma existência discreta e passiva.

Os responsáveis, por seu lado, vêem este departamento como uma forma subtil de afastar Carl, apaziguar reivindicações politicas e receber parte do orçamento atribuído a este departamento.

Motivado por um curioso assistente e por uma pressão politica, Carl acaba por se ver na investigação do desaparecimento de uma jovem politica em ascensão que presumivelmente morreu afogada numa viagem de barco quando viajava com o seu irmão deficiente, mas cujo corpo nunca foi encontrado.

O livro aproveita os flashbacks para dar um quadro completo dos acontecimentos fatídicos que rodeiam o desaparecimento de Merete. Apresenta-se assim mediado entre o passado e o presente.

O jogo entre a percepção completa dos acontecimentos e do porquê do desaparecimento mantêm-se durante grande parte do livro conseguindo assim manter a curiosidade e voracidade de leitura no auge, do leitor.

Adoro policiais nórdicos, e esta série do Departamento Q entrou agradavelmente na lista de séries policiais que faço questão de seguir.

É um livro que ganha cor a cada página virada, à medida que a história vai prosseguindo o enredo ganha complexidade e provoca um sentimento de puro "voyeurismo" relativamente às duas personagens principais, Carl e Assad. A história é coerente e bem construída.

Com uma força narrativa que sobressai, atinge o leitor bem no seu âmago, e com destreza torna o leitor refém da história e dos seus personagens.

Jussi Adler Olsen, numa entrevista, explicava que joga com a percepção do leitor, que fornece alguns detalhes e deixa o leitor fazer parte da história, preenchendo assim, de uma forma mais pessoal, as descrições e a própria história.

O autor acha que o importante das histórias são as personagens, e como sabem concordo plenamente.

As personagens:

Carl Morch é divorciado, vive num estado anímico de passividade, vive com os seus fantasmas e com um imobilizador sentimento de culpa. É contudo um detective perspicaz, inteligente e ponderado. O conflito interno e externo está elegantemente bem desenhado.

Assad, é uma personagem discreta que rapidamente revela luz própria. Este personagem deixou mais (...)

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Opinião O Guardião das Causas Perdidas|Livros e Marcadores

Pede-me o que Quiseres ou Deixa-me

Pede-me o que Quiseres ou Deixa-me - Megan Maxwell 4.7

« Neste livro somos confrontados com o passo seguinte da relação do casal, depois do casamento e da lua de mel vêm os filhos. Como vai gerir o casal esta nova fase da sua vida? Como vai reagir o sobrinho de Eric? Que mais tempestades vão balancear este romance? Resistirá o amor?


Este é o terceiro livro da trilogia. Uma vez mais, não me desapontou.


"Que liiiiiiivro..., mi madre"


O que mais gostei nos três livros da trilogia foi que o enredo transcendia a mero erotismo, conseguiu também construir personagens verosímeis e uma história que não se mostrou refém de um guião pré-estabelecido, mas sim mostrou vida e personalidade própria.


A paixão, o ciúme e os mal entendidos foram o veículo que conduziram, de certa forma, esta história, e que trouxe ao livro grandes momentos de tensão que embelezaram o enredo. Foi com perícia que a autora conduziu e controlou o fluxo destes três ingredientes.


Este livro difere um pouco dos outros dois, uma vez que me parece que se quis vestir as personagens com uma postura mais "consciente", "responsável" e "madura", fruto dos novos acontecimentos na vida do casal. Assim a autora deu mais destaque a outras personagens, como o caso da irmã de Judith, e do casal Dexter e Graciela que enriqueceram a história.

Judith é para mim a personagem que marca transversalmente toda a série, a sua força e personalidade vincada sobressaem. É uma personagem gratificante de se "ler".


Comecei por a descrever como «uma personagem feminina verosímil, com uma personalidade forte, uma pessoa que irradia personalidade vincada, com os seus defeitos e virtudes consistentes, com o seu génio apaixonante e tão bem construído. É para mim o elemento que se destaca, a tempestividade comportamental, a entrega e o dramatismo que envolvem esta personagem desarmou-me.»

E a opinião manteve-se ao longo dos três livros. Conseguimos encontrar uma evolução consistente de amadurecimento ao longo da história.


A história, tem consistência e é "harmoniosa", literalmente falando.


No género dos livros eróticos que já li, a autora é para mim uma das que mais sobressai, e com quem (...)»



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Opinião Pede-me o que quiseres, ou deixa-me|Livros e Marcadores

Morte nas Trevas

Morte nas Trevas - Pedro Garcia Rosado 4.5

«Gabriel, o ex-inspector da Policia Judiciária, ávido pela adrenalina da investigação encontra numa estranha proposta a possibilidade de voltar ao "activo".

Mas tudo na vida tem um preço! E por vezes pode ser alto de mais!

A tensão do livro está ao rubro! Após as duas primeiras aventuras "Morte com Vista para o Mar" e "Morte na Arena", este livro, para mim supera claramente os dois anteriores - que já na altura os considerei muito bons. "Morte nas Trevas" evidencia-se pela densidade, pela profundidade que o enredo nos oferece.

A escrita de Pedro revela-se, como sempre, experiente, criativa e com um dinamismo coerente e apelativo.

Quanto aos episódios de violência, gostei, faz-me lembrar o estilo da autora Mo Hayder, uma autora de quem sou fã incondicional. Gostei do arrojo colocado na descrição das cenas mais chocantes. São tão gráficas que chocam o leitor.

Quanto às suas personagens, Gabriel continua a sua evolução, parece-me mais focado e decido no campo pessoal mas tudo está em aberto.

Uma das novas personagens, nesta série, Ulianov - o ex-oficial do KGB, é uma personagem com presença. Desde logo o ar misterioso com que se apresenta, o seu ar misterioso e subtil, mas que contudo sobressai logo nas primeiras referências, torna-o uma peça basilar da história.

Esta série ganhou um lugar de destaque, por direito próprio, na minha estante de policiais.

Como um grande policial que é, este livro, semeia no leitor a curiosidade e a inquietação no virar da página.

Um livro não deve ser "fechado", não se deve extinguir na própria história, mas sim, deve permanecer na mente do leitor, como algo inacabado, algo que faça o leitor retomar o livro, mesmo depois de o ler. Deve conter, acima de tudo, um convite implícito e irresistível para voltar a ler outra obra do autor. E neste livro este detalhe não foi ... »


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Opinião Morte nas Trevas|Livros e Marcadores

Natureza Morta

Natureza Morta - Louise Penny «O inspector Gamache é chamado a investigar a morte de Jane Neal, uma professora reformada, vitima de um aparente acidente de caça numa pequena povoação perto de Montereal, Three Pines. Jane era uma pessoa adorada por todos e por essa razão não se vislumbram inimigos ou potenciais suspeitos. Cabe a Gamache e a sua equipa resolver este crime e descobrir sua real causa.


"Bem vindos a Three Pines", é a primeira ideia que tenho quando penso neste livro. Este é um lugar cheio de intensidade, com uma sólida presença e personalidade que desde logo vai emergindo na nossa imaginação como algo palpável e real.


Uma recepção simpática e acolhedora é o que nos oferece a ideia desta pequena povoação chamada Three Pines, onde as artes marcam os habitantes da mesma. A forma irrepreensível como a autora construiu este lugar e nos subjuga desde o primeiro momento à sua beleza, é espantosa. Nota-se o trabalho árduo na sua construção de forma a transmitir uma simplicidade desconcertantemente bela.


“But it was really meant to be my ideal village, set in my ideal geography. I think I imbue Three Pines with a kind of magical realism.” - Louise Penny numa entrevista.


Natureza Morta é o primeiro livro da série "Inspector Gamache", esta série promete arrecadar muitos seguidores portugueses. Para mim uma excelente aposta, sem sombra de dúvida.


A história vai-se desenrolando, e vamos podendo conhecer com maior profundidade as personagens. A diversidade de estereotipos dá corpo, solidez e substancia ao enredo. As personagens revestem de uma familiaridade notável oferecendo proximidade e cumplicidade ao leitor. As personagens que povoam Three Pines, são muito ricas e são verosímeis. Foi um prazer “degustar” durante a leitura.


O processo de investigação é mais aberto do que os policiais que tenho lido ultimamente, e por isso mais propicio a que outras personagens ajudem ou interfiram na investigação. Um exemplo claro é a discussão com os habitantes da povoação testando teorias. Mas funcionou muito bem, "literariamente falando".


Há três personagens que sobressaem:


O inspector Gamache é experiente, integro, humano, paciente, leal, afável, observador e contudo transmite uma imagem de reconhecimento e identificação, sugerindo uma pessoa simples e acessível que poderíamos encontrar ao virar da esquina, que poderia fazer parte do nosso circulo de amigos.


A agente Ivette Nichol é arrogante, prepotente, e com um dos piores sentidos de oportunidade atribuível a uma personagem. É ela também a responsável pelas pinceladas de bom humor no enredo. Devo confessar que é uma das minhas personagens preferidas!!! É um dos pontos de destaque do livro.


Clara é criativa,(...)

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Opinião: Natureza Morta|Livros e Marcadores

Vou publicar um post com videos sobre o livro, convido-vos a assitirem
Podem consultar aqui:
Videos: Natureza Morta|Livros e Marcadores

Pecado

Pecado - Sylvia Day « Existem duas histórias neste livro, a primeira é a de Lady Jessica Sheffield, uma viúva da alta sociedade, que após um ano de luto resolve fazer uma viagem à Jamaica para se afastar da rotina e da comiseração alheia que a sufocam. Mal sabe que essa viagem vai mudar a sua vida!!


Apesar de ter sido feliz no casamento Jess nunca esqueceu o jovem Alistair e um singular episódio da sua juventude... Alistair é o quarto filho de uma importante família, mas que por ser o quarto na sucessão, sempre mostrou uma atitude de aparente irresponsabilidade para com os assuntos da família e bastante mais interessado na beleza do sexo feminino e nos seus atributos.


Como em todas as famílias, nem tudo o que parece é, e assim envolvemo-nos na história e conhecemos as sombras que povoam ambas as famílias e que de alguma forma marcam e condicionam as personalidades destas duas personagens.


A segunda história, recai sobre Hester, irmã de Jess, casada com Lorde Regmon, e vitima de maus tratos por parte deste. Hester mantém uma paixão secreta por Michael Sinclair, um dos solteiros mais cobiçado da sociedade. Esta história reflecte a parte mais dramática do enredo.

Para mim Ester é a personagem que se destaca, pela generosidade e o amor incondicional à sua irmã, pelo seu sofrimento encoberto, pelo contraste entre a determinação e a submissão em doses iguais que demonstra.


Presumo que esta segunda história vá ter um maior foco e profundidade nos próximos livros.


Ao contrário do que presumi inicialmente, e dos livros - dentro deste género literário - que tenho lido, este é um livro que se baseia só na monogamia, o que lhe dá um especial encanto. Para mim este (...)




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Opinião Pecado |Livros e Marcadores

A Mulher Silenciosa

A Mulher Silenciosa - A.S.A. Harrison «Não se é a mesma pessoa quando se saí de uma relação como se era quando se entra nela.» Pág 130


Um livro arrebatador, intenso e profundo.


Sobressai uma escrita madura e profunda. O livro é-nos oferecido pela conjugação da perspectiva de ambas as personagens, conseguindo uma visão tridimensional da história e complementando-se.


O livro centra-se num triângulo amoroso, no adultério e como a vidas de duas das personagens vivem com o mesmo. Centra-se na cumplicidade de silêncios, na “sincronização” de atitudes e condutas subentendidas.


Constatamos que por vezes é necessário apenas um "pequeno" detalhe, uma simples variável, para fazer toda a diferença!!, e assim somos levados a acreditar que a aparente solidez de um relacionamento, não passa disso mesmo ... aparente.


Gostei do livro, da abordagem feita, da sobriedade como somos levados a imergir num turbilhão de sentimentos antagónicos. Da exposição dos sentimentos mais profundos das personagens, gostei da construção sólida de uma realista e desconcertante intimidade.

A conjugação entre os conflitos interiores que cada personagem é brilhante.


A reflexão de Jodi sobre o seu mentor, na minha opinião, poderia ter sido um pouco mais aligeirada, contudo percebo a necessidade da autora de contextualizar determinados actos da personagem. Mas este detalhe não belisca de forma alguma a grande obra que nos é apresentada.


O final é, para mim, a cereja no topo do bolo!!! Desconcertante para uns, mas perfeito para outros.


As personagens:


Jodi Brett é uma mulher madura, leal, inteligente e com um sentimento apurado do que pretende da sua vida. Do que, para si, é supérfluo e essencial. Gostei especialmente do episódio das "chaves" que diz tanto sobre esta personagem e ajuda na sua caracterização exemplar. É a meu ver, o elo forte do casal, a estrutura basilar da relação.


Todd Gilbert é ...»

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Opinião Letal|Livros e Marcadores

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"Primeira impressão"
Dói pensar que uma pessoa com este dom não está mais entre nós. Que seremos privados da profundidade e eloquência que revestem a sua escrita invulgar.

Inegavelmente, uma escrita madura e profunda. De certo, o mundo literário ficou mais pobre.

Tenho para mim este livro como uma brilhante obra, que requer maturidade para poder sorver e apreciar este delicioso nectar.

De certo, esta poderá não ser uma opinião unânime! Mas por serem 2h da manha e apesar do sono, não me poder permitir deitar sem escrever 1/2 dúzia de palavras sobre o livro revela bem o impacto e a urgência que me tomaram.

Paulo Pires

A Hipótese do Mal

A Hipótese do Mal - Donato Carrisi «"-Alguma vez ouviste falar na Hipótese do Mal?" (pág. 230), é um dos trillers do momento, e um livro que sobressai no rol dos bons livros que tive a oportunidade de ler este ano.

Sem dúvida um surpreendente e apaixonante thriller.

Este é o terceiro livro do autor publicado em Portugal, o segundo da série # Mila Vasquez. Apenas tinha lido O Tribunal das Almas, mas já garanti o livro que me falta (e o primeiro da série) Sopro do Mal. (conforme a foto testemunha)


«Uma obsessão é o processo degenerativo de uma rotina.» pág. 293

Pessoas desaparecidas emergem e tornam-se improváveis assassinos.

Mila, pertence ao Gabinete das Pessoas Desaparecidas., com uma determinação e obsessão extremas em relação ao seu trabalho, junta-se a Simon, um policia marginalizado, que esteve envolvido numa investigação, vinte anos atrás, com contornos semelhantes aos destes desaparecimentos.

As personagens são fantásticas:

Mila Vasquez é uma mulher marcada profundamente pelo seu passado, com uma inexistente relação de proximidade com a sua filha, e com uma tendência para a auto-mutilação.

Simon Berish, é um polícia rejeitado, estatuto que ganhou num caso anos atrás de onde surgiram acusações de corrupção. Desde dessa altura passou a ser marginalizado pelos seus colegas. Contudo detêm um dom inusitado, consegue obter as confissões mais sombrias dos suspeitos que interroga.

A forma como o livro é apresentado é engenhoso, á medida que a acção vai aumentando a sua intensidade, o tamanho dos capítulos diminui.

Aos poucos as revelações vão surgindo saciando a procura de respostas do leitor, e à medida que a narrativa fluí vamos compreendendo o contexto e a envolvente desta brilhante história.

«Ás vezes, é necessário ir ao fundo do inferno para conhecermos a verdade sobre nós próprios.» pág. 358

O livro baseia-se na premissa de que todos nós, em algum momento da vida, ponderamos desaparecer e gostaríamos ter um “renascer”, soltar (...)»



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Opinião A Hipótese do Mal|Livros e Marcadores

A Mulher de Verde

A Mulher de Verde - Arnaldur Indriðason Há muito que ansiava por conhecer a obra de Arnaldur Indriðason, e eis que surgiu a oportunidade com "A mulher de verde", e que bela oportunidade...

A escrita de Arnaldur é poderosa! e posso vos confidenciar que me tocaram tanto as cenas de violência domésticas, tão bem descritas e tão bem ilustradas que me deixaram arrepiado. A violência retratada é uma foto tão vivida e tão real que impressiona e choca o leitor, é difícil passar esta percepção para um leitor sem outra ferramenta para além da escrita, e daqui facilmente podemos reconhecer ao autor uma capacidade de envolvência invejável.

O autor, numa entrevista, confessa que quando começa a escrever um livro não tem a ideia de quem vai morrer, e de quem será o culpado, esses dados vão surgindo à medida que vai escrevendo, segundo confessara. Quanto a mim este facto é palpável e serve-se na história como mais um ingrediente que marca a originalidade deste livro.

Esta história tem lugar em Reykjavik, capital da Islândia. Um corpo repousa, com uma mão levantada junto dos alicerces de uma obra, enterrado à mais de 50 anos! O patologista está ausente, e o inspector Erlendur recorre a uma equipa de arqueologistas para retirar o corpo, preservar as potenciais evidências e poder determinar o sexo do corpo. O detalhe da incógnita do sexo é inteligente, deixando vários cenários em aberto durante o enredo.

Parece um caso sem grande interesse uma vez que os indícios são escassos, pelo tempo decorrido, e pela grande probabilidade de qualquer suspeito ou testemunha poder já ter morrido. Mas rapidamente mergulhamos na história e procuramos acompanhar (e participar) na investigação.

Erlendur, Elinborg e Sigurder preconizam o trio de detectives que povoam esta história. Erlendur é o inspector que lidera a investigação, é um personagem solitário, inteligente e amargurado. Abandonou a família e transporta muitos "fantasmas" na bagagem.

Existem três histórias, o desaparecimento da filha do inspector Erlendur, toxicodependente e grávida, com quem o inspector mantém uma relação tensa. Mas é ao pai a quem Eva faz um insólito telefonema a pedir ajuda.

A segunda história, (...)

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A Improvável Viagem de Harold Fry

A Improvável Viagem de Harold Fry - Rachel Joyce « Este é um profundo mergulho numa caminhada pela descoberta, da ingenuidade e do regresso ao passado.

A páginas tantas, damo-nos conta que calçamos uns "sapatos de vela", e partilhamos da caminhada de Harold, ocupando como ele, o lugar de ouvinte e de locutor. Reflectindo e redescobrindo-nos a cada novo passo. Testando os nossos limites, e libertando-nos do supérfluo.

Uma viagem terna e marcante.

A história dá-nos algo mais que uma viagem, algo mais que um reflexão. dá-nos uma perspectiva intrigante da dimensão humana de nós próprios.

Quanto às personagens, são bem estruturadas, coesas e dinâmicas.

Harold, encarna os seus conflitos internos e externos e faz deles a sua força, a sua redenção. Sobressaí pela sua preocupação genuína, e a sua necessidade de proteger todos aqueles que se aproximam.

Maureen, a mulher de Harold, preconiza um dos episódios deliciosos, no inicio do livro, numa troca de palavras sobre geleia com Harold, embora simples, este episódio denota tacto e inteligência na construção literária da relação (...)

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Opinião A improvável viagem de Harold Fry |Livros e Marcadores

A Amante do Papa

A Amante do Papa - Jeanne Kalogridis «Um irresistível romance histórico da Renascença Italiana.

Este livro tem dois pontos de incontornável interesse, Catarina Sforza uma figura impar e os Borgia.

Catarina Sforza «famosa por sua audácia no amor e na guerra», dominava ambas as artes! Com um apurado sentido prático, uma perspicácia politica e militar que sobressaia e a destacava. Era adorada por uns e temida por outros.

Esta é a época dos Borgia, a incontornável família espanhola/italiana da renascença italiana, que conseguiu “produzir” 3 papas. Uma família onde o sexo, a corrupção, incesto, adultério e assassinatos (preferencialmente por envenenamento) alimentavam e conduziam a ganância pelo poder. Esta carga sombria que envolvia a família é também um dos grandes apelativos da mesma, dando origem a uma famosa série televisiva com o nome “The Borgias”.

Narrada pela dama de companhia (e irmã adoptiva) de Catarina Sforza, Dea, esta história ganha cor nas suas palavras e anseios, na Fortaleza de Ravaldino, quando estão a ser atacadas. E através de um “flasback” ganhamos a percepção de toda a história e o que as levou até ali.

A descrição das personagens é um verdadeiro deleite, são descrições coloridas e breves.

«Está nua, e a luz impregna a sua pele branca de um brilho quente, como se tivesse mergulhada em mel (...)»

Gostava de realçar também o detalhe oportuno e não muito extenso com que somos brindados ao longo deste livro. A autora detêm a minúcia e o talento que nos permite transportar para o século XV.

Não pude deixar de reparar na atenção peculiar dada ao nariz de muitas das personagens, que de uma forma “definitiva” decretam a beleza, ou a falta dela, de uma personagem.


Catarina é uma mulher, cujo crescimento acompanhamos pelos olhos de Dea, através de confidências, diálogos e de ter testemunhado muitos dos acontecimentos. Assim é-nos permitido acompanhar a evolução espantosa desta personagem, que passa de menina travessa e mimada a arguta e temida “Senhora”. Uma personagem que tem tanto de intrigante como de austera.
Catarina é-nos apresentada com uma mulher obstinada, determinada e ousada em tudo o que faz. No seu trajecto depara-se com Rodrigo Bórgia, de quem fica amante, e com quem quebra o relacionamento posteriormente, para descontentamento do mesmo.

Na luta pelo poder e defesa dos seus bens e interesses, os Borgia passam a ser um dos obstáculos e um temivél inimigo com que Catarina tem que se debater ao longo do enredo.
Dea é o oposto, uma personagem mais submissa, a confidente, e mais fiel aos papéis que lhe foram atribuídos, com o peculiar dom de ler as cartas.

Neste livro somos brindados com momentos de uma enorme sensualidade, como pequenas pérolas. Pequenos e preciosos (...)»

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